"Conheci vários professores neste ano letivo. Professores de matemática, de português, responsáveis por bibliotecas, escolares, gente muito dedicada. Escrevo bastante sobre ser professor, a mais bela de todas as profissões, talvez hoje a mais difícil, pela indiferença social, pela indiferença de uma parte importante dos alunos viciados no mundo virtual e na indústria das certezas, como seduzir os miúdos para a importância da dúvida, para a procura da verdade e para a curiosidade quando o mundo lhes pede o contrário.
Mas é por isso que mais do que nunca ser professor é a mais nobre de todas as profissões, a mais utópica também. Inventar um mundo que agora não existe, mas que precisamos que exista. O contrário de distopia, a utopia de Thomas More.
A esperança de que um professor possa oferecer uma hipótese de mais caminho, de mais liberdade de pensamento, de um modo de pensar alternativo ao adormecimento, à desistência. A esperança de que o professor possa ensinar o que está para lá dos números, o que está para lá dos livros, o que está para lá das matérias. A esperança de que o professor deseje o impossível, ser o que provoca o pensamento, o que se preocupa, o que empresta um livro, o que propõe uma série, o que estimula.
A esperança de que o professor não se deixe ir abaixo com as derrotas e fracassos, porque cada vitória, cada vida que se interpela, pode significar o futuro da humanidade e do nosso país. Ser professor é a primeira de todas as profissões, a que dá origem a todas as outras, a que pode moldar tudo, até a forma de amarmos. Sem dúvida, a maneira como nos comprometemos com o mundo, boas férias a cada carregador de utopias, a cada professor ou professora, vamos caminhar, voltar à pista, o país precisa, precisamos todos."
Luís Osório, jornalista e escritor
Até setembro!